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Em Goianira, Fieg realiza visita técnica à planta da Milhão Ingredients

A Federação das Indústrias do Estado de Goiás (Fieg), por meio dos Conselhos Temáticos de Agroindústria (CTA) e de Infraestrutura (Coinfra), realizou na última semana (28/8) visita técnica às instalações da sede da Milhão Ingredients, em Goianira, na Região Metropolitana de Goiânia. A indústria é uma empresa familiar do setor agroindustrial focada no fornecimento de insumos para outras indústrias e especializada em soluções de milho não transgênico (Non-GMO).

Liderada pelos presidentes Célio Eustáquio de Moura (Coinfra) e Marduk Duarte (CTA), a comitiva de empresários e conselheiros foi recepcionada pelo CEO e cofundador da empresa, Luciano Carneiro, pelo superintendente financeiro, Kelson Costa, e pelo professor José Rafael de Medeiros. Além de Goianira, a empresa possui plantas instaladas em Rio Verde e Goiânia.

Infraestrutura, logística e competitividade

O encontro teve início com a apresentação da empresa e debate sobre sua operação, destacando os gargalos logísticos e o despacho de mercadorias como fatores centrais para a competitividade industrial. O superintendente financeiro da Milhão, Kelson Costa, pontuou a logística como uma das prioridades e desafios operacionais da companhia.

Para o presidente do Coinfra, Célio Eustáquio, a atuação do conselho busca construir soluções conjuntas com o setor público e articular demandas em âmbito federal. "O Coinfra tem a preocupação de atender às demandas industriais e discutir gargalos como o despacho dessas mercadorias, que geram dificuldades.

Estamos à disposição para contribuir com o debate e construir soluções; não podemos ser reféns do que falta, mas mostrar as necessidades para sensibilizar Brasília e evoluir", afirmou Célio, destacando ainda a necessidade de investimentos públicos em energia, rodovias e ferrovias. Luciano Carneiro complementou ressaltando os impactos do Custo Brasil, que abrangem os entraves logísticos e os custos de elevação.

O presidente do CTA, Marduk Duarte, ressaltou a atuação coordenada entre os conselhos da Fieg, como um ambiente de discussão e proposta de inovação para desafios enfrentados pelo setor produtivo goiano. "O CTA é transversal e precisa integrar visões complementares. Trabalhamos em conjunto com o Coinfra para fortalecer o setor produtivo. A nossa grande missão é industrializar cada vez mais a produção goiana para agregar valor", disse Marduk.

Evolução industrial, mercado externo e inovação

Fundada em Inhumas com uma capacidade inicial de 180 toneladas de milho por mês, a Milhão processa hoje cerca de 1.600 toneladas por dia. A estrutura comercial atende a indústrias de diversos segmentos: da alimentação a ingredientes para mineração, nutrição pet, fertilizantes e o setor farmacêutico, além de exportar para mais de 70 países. O mercado caribenho responde por 60% das exportações, registrando Trinidad e Tobago entre os principais destinos, ao lado de posições consolidadas no Sudeste Asiático (com Coreia do Sul e Malásia respondendo por 85%), África (com envio de fubá de milho) e Cabo Verde.

Na trajetória de expansão, a fábrica mudou-se para Goianira em 2018, estruturou sua marca empacotada em 2022 (com distribuição pronta para 55 clientes) e inaugurou, em 2024, a primeira indústria de óleo de milho não transgênico. Para agosto de 2027, está prevista a entrega da primeira indústria de farinha nixtamalizada do Brasil, localizada em Rio Verde, e com foco na produção de tortilhas. Luciano Carneiro também avaliou o avanço do etanol de milho como um cenário de riscos e oportunidades, que exige monitoramento para seguir potencializando a agregação de valor ao grão.

No campo da inovação e sustentabilidade, a empresa mantém 53 campos experimentais, 11 híbridos testados e quatro aprovados, incluindo dois híbridos próprios já desenvolvidos (M3310 e M3320). A empresa atua em parceria com o produtor fornecendo as sementes para garantir rastreabilidade, adota manual de boas práticas agrícolas, aderiu ao Pacto Global da ONU, opera com energia 100% renovável e certificada e reciclou 1.889 toneladas de resíduos. A estrutura inclui ainda centro de pesquisa biotecnológica, fábrica de biológicos associada e o programa Milhão Solidária.

Para a mitigação de riscos de margem e intempéries climáticas, Carneiro apontou o manejo agronômico: “Trabalhamos a construção de perfil de solo, compostos orgânicos, plantas de cobertura e biológicos, reduzindo em torno de 30% o uso de inseticidas.”

Visita técnica à planta fabril

Durante a agenda, os conselheiros percorreram as instalações produtivas, acompanhando o laboratório de inovação e controle de qualidade, a classificação dos grãos, a área de ensaque e a fábrica de óleo vegetal. Entre as linhas apresentadas, esteve também a produção de areia biodegradável para gatos.

O processo técnico industrial inicia-se no descarregamento e pré-limpeza, operando a um ritmo de 50 toneladas por hora para a remoção de impurezas. A primeira etapa de limpeza separa os grãos por peneiramento (retendo itens entre 4 mm e 12 mm e descartando frações fora desse intervalo), seguida por sistema de aspiração pneumática para retirada de resíduos leves e mesa densimétrica (saca-pedras) para impurezas pesadas.

Em seguida, o milho segue para a desgerminação, etapa em que o grão é umedecido para a extração do gérmen e da película, e para a classificação por granulometria (como canjica e canjicão), sendo direcionado a silos específicos. O processamento finaliza na moagem customizada por tipo de produto.

Na planta de extração de óleo, estrutura automatizada que opera com sistema de água em circuito fechado para resfriamento e mão de obra local, o gérmen processado resulta em 10% de óleo bruto e 90% de farelo (saindo o farelo com residual de apenas 0,5% de óleo), matéria-prima voltada tanto à fabricação de biodiesel quanto ao refino para o setor alimentício.


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