Especialista explica as causas da blefarite e orienta
cuidados diários para evitar irritação e ressecamento ocular
A presença de descamação ou pequenas crostas na base dos
cílios, popularmente conhecida como “caspa nos cílios”, pode ser um sinal de
blefarite, uma inflamação das pálpebras que atinge a região onde nascem os
fios. Apesar de comum, o problema não deve ser ignorado, pois pode causar
desconforto e afetar a qualidade da lubrificação dos olhos.
Segundo a oftalmologista Dra. Juliana Lasneaux, do CBV -
Hospital de Olhos, a condição está relacionada a alterações na produção de
oleosidade das pálpebras e ao acúmulo de micro-organismos. “A blefarite é uma
inflamação crônica e bastante frequente. A descamação na base dos cílios
acontece quando há um desequilíbrio na produção de gordura das pálpebras,
associado à proliferação de bactérias ou ácaros. Esse processo leva à formação
de crostas e também pode comprometer a qualidade da lágrima, provocando sintomas
de olho seco, como ardência, vermelhidão e sensação de areia”, explica.
Além da descamação, a blefarite pode provocar coceira,
irritação, sensação de peso nas pálpebras, lacrimejamento excessivo,
sensibilidade à luz e até queda dos cílios. Em alguns casos, os sintomas
aparecem de forma recorrente, especialmente em pessoas com pele oleosa,
dermatite seborreica, rosácea ou que fazem uso frequente de maquiagem na região
dos olhos.
De acordo com a especialista, o controle da condição depende
principalmente de cuidados diários e contínuos. “A higiene regular das
pálpebras é fundamental para remover a oleosidade, as crostas e os agentes
irritantes. Como a blefarite é uma condição crônica, a manutenção desses
cuidados ajuda a reduzir a frequência e a intensidade das crises”, orienta.
A médica também reforça hábitos importantes para preservar a
saúde ocular no dia a dia. Segundo a Dra. Juliana Lasneaux, é essencial evitar
o uso excessivo de maquiagem nos olhos, retirar completamente os produtos antes
de dormir, não compartilhar itens de uso pessoal, como máscaras de cílios e
delineadores, manter as mãos sempre limpas antes de tocar a região e evitar
coçar os olhos, prática que pode agravar a inflamação e favorecer infecções.
Outro ponto de atenção é o tempo prolongado em frente a
telas, que reduz a frequência do piscar e contribui para o ressecamento ocular.
Pausas regulares ao longo do dia, boa hidratação e, quando indicado, o uso de
lubrificantes oculares ajudam a manter o conforto visual.
A especialista alerta que sintomas persistentes não devem
ser negligenciados. Irritação frequente, secreção, visão embaçada ou sensação
constante de ressecamento exigem avaliação oftalmológica. O diagnóstico precoce
e o acompanhamento adequado são fundamentais para controlar a inflamação,
evitar complicações e garantir a saúde da superfície ocular a longo prazo.



