Especialistas do mercado imobiliário avaliam manutenção da Selic com otimismo

 

 Especialistas do mercado imobiliário avaliam manutenção da Selic com otimismo

Profissionais em Goiânia, uma das três capitais com maior crescimento no setor no último ano, reiteram a possibilidade de redução da taxa na próxima reunião, e apostam em um cenário previsível e positivo


 

Empreendimento Opus Ayra, no Setor Serrinha, em Goiânia, recém lançado neste mês de janeiro (Créditos - Divulgação Opus Incorporadora)


Em sua primeira reunião de 2026, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) decidiu manter a taxa básica de juros da economia, a Selic, em 15%. A definição repercute em diferentes setores da economia, com reflexos diretos no mercado imobiliário. Em Goiânia, capital que vive um ciclo consistente de expansão imobiliária e figura entre os três maiores mercados do país, especialistas avaliam o cenário com otimismo.


Gabriel Santos, gerente comercial da Opus Incorporadora, analisa como positiva a notícia da taxa, já que foi sinalizado que há uma grande possibilidade da redução na próxima reunião de março. “Isso vai de encontro ao que os especialistas e as instituições financeiras têm apostado, que até o final do ano haverá uma taxa bem significativa. Isso já reflete nas instituições financeiras privadas. Desde o final do ano, a gente pode ver que os bancos privados já aumentaram o seu limite de crédito e alguns até reduziram o seu percentual de taxa de financiamento. Então a gente estima que o mercado tende a crescer com base nesses dados”, aponta.


Para a diretora de incorporação da Dinâmica, Patrícia Garrote, a manutenção da taxa Selic pelo Copom, nesta semana, não causou grande surpresa para o mercado. Ela destaca ainda que o custo das incorporadoras segue pressionado, com operações de crédito e capital de giro mais caros, exigindo ainda mais disciplina financeira, eficiência operacional e seletividade na escolha dos projetos. “Incorporadoras com boa gestão de caixa e produtos bem posicionados tendem a atravessar esse período com maior resiliência, enquanto projetos mais sensíveis a custo financeiro enfrentam margens mais comprimidas. Por outro lado, a decisão do Copom também traz previsibilidade, o que é essencial para o planejamento do setor. A sinalização de que o ciclo de queda de juros se aproxima, melhora a confiança de investidores, parceiros e compradores, permitindo às incorporadoras começarem a organizar seus pipelines de lançamentos com mais clareza para 2026”, analisa.


Demanda segue elevada no médio e alto padrão


Já no alto padrão, nos últimos anos, o cenário de juros altos contribuiu para a redução do volume de lançamentos em Goiânia, ao mesmo tempo em que a demanda seguiu aquecida, criando um descompasso entre oferta e procura. A oferta no segmento de médio e alto padrão (MAP) ao final setembro 2025 recuou 16,3% em 12 meses a nível Brasil, segundo Abrainc/Fipe. Na capital, esse movimento já sinaliza um cenário de escassez de imóveis, mesmo com os preços ainda relativamente estáveis em comparação a outras capitais brasileiras.


Para o presidente da Consciente Construtora e Incorporadora, Ilézio Inácio, o atual contexto macroeconômico tende a passar por ajustes ao longo do ano, o que pode destravar o mercado. “A expectativa é que, com a reorganização do cenário econômico e a gradual retomada do crédito imobiliário, o segundo semestre já traga sinais mais claros de melhora. O financiamento é um grande facilitador das vendas e, quando ele volta a ganhar tração, o mercado responde rapidamente. Em um ambiente de maior previsibilidade, o imóvel continua sendo um dos ativos mais seguros para investimento de médio e longo prazo”, avalia.


Ativo estratégico


Mesmo com a manutenção da taxa Selic em patamar elevado, o mercado imobiliário segue se consolidando como um dos ativos mais sólidos para quem busca proteção patrimonial e previsibilidade no médio e longo prazo. Em cenários de juros altos, investidores tendem a migrar de aplicações mais voláteis para bens reais, especialmente imóveis bem localizados, com proposta clara de valor e foco em demanda real, e não especulativa.


Para a diretora executiva de negócios da FR. Incorporadora, Lara Rassi, o atual contexto reforça movimentos que o setor já vinha adotando nos últimos anos. “O mercado imobiliário vem operando há algum tempo em um ambiente de crédito mais restritivo, o que levou incorporadoras mais estruturadas a ajustarem seus modelos, com maior eficiência de custos, produtos mais aderentes ao perfil do comprador e condições comerciais pensadas para facilitar a tomada de decisão, mesmo com juros elevados”, afirma. Segundo ela, a manutenção da Selic, sem novas altas, traz previsibilidade — um fator essencial tanto para o consumidor quanto para o planejamento das empresas — e ajuda a destravar decisões represadas de quem aguardava uma sinalização mais clara do Banco Central.


“Mesmo com a Selic mantida em 15% ao ano, o mercado imobiliário goiano segue aquecido e demonstrando forte resiliência. Temos observado um aumento nas compras à vista, maior presença de investidores em busca de proteção patrimonial e as condições comerciais oferecidas fazendo toda a diferença para viabilizar bons negócios. Além disso, a expectativa de início do ciclo de cortes a partir de março já influencia positivamente o planejamento de quem pretende adquirir um imóvel em 2026, trazendo mais confiança para o setor”, comenta o diretor da Brasal Incorporações em Goiânia, Andreas Yamagata.

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