Mesmo padrão já identificado em Aparecida de Goiânia; auditoria aponta 530 cobranças com indícios de irregularidade, 403 delas por procedimentos sem registro de execução ou não realizados
A Unimed Goiânia apresentou à Polícia Civil uma nova notícia-crime contra o Instituto Kids Centro de Reabilitação. Segundo auditoria da cooperativa, crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA) eram atendidas em uma clínica em Trindade, que não é credenciada pela Unimed, e as sessões eram lançadas no sistema como se tivessem sido realizadas pela unidade credenciada em Goiânia. É o mesmo padrão denunciado pela cooperativa em junho deste ano, envolvendo uma clínica em Aparecida de Goiânia.
A análise de documentos de 2023 e 2024 identificou 530 cobranças com inconsistências, que somam R$ 57.280. Delas, 403 cobranças, no valor de R$ 43.730, referem-se a procedimentos sem registro de execução ou que não foram realizados. A auditoria também encontrou sessões cobradas sem evolução registrada em prontuário, divergências entre sessões cobradas e assinaturas de comparecimento, cobranças em duplicidade, guias sem assinatura do paciente e cobranças acima da quantidade autorizada.
Quem perde são as crianças
Para a Unimed, o prejuízo vai além do financeiro. Quando um atendimento é feito fora da rede credenciada e registrado em outro lugar, a família perde a garantia de que a terapia foi realizada, por quem e com qual qualidade. "Estamos falando de crianças em tratamento contínuo, que dependem de terapias sérias e bem acompanhadas. Quando uma sessão é cobrada sem registro de que aconteceu, ou quando o atendimento é feito em um local que não passou pelo nosso credenciamento, a família fica sem nenhuma garantia sobre o cuidado que o filho está recebendo. Combater esse tipo de prática é proteger os pacientes", afirma o diretor de Provimento de Saúde da Unimed Goiânia, Dr. Francisco Rebouças.
"Quando identificamos que o mesmo padrão se repetiu em outra cidade, não tivemos dúvida em levar o caso novamente às autoridades. Cada real desviado em cobranças indevidas é um recurso que deixa de ir para o tratamento de quem precisa", completa.
O que a Unimed pede à Polícia
A cooperativa solicita perícia técnica nos 530 itens, com cruzamento das cobranças com autorizações, agendas, controles de presença, assinaturas, prontuários e identificação dos profissionais que teriam feito os atendimentos. Também pede que sejam ouvidos os responsáveis pela auditoria e pelo faturamento, os profissionais ligados às guias e, se necessário, as famílias dos pacientes. Cabe à investigação apurar a natureza de cada ocorrência e eventuais responsabilidades.
Entenda o caso




