Nomeado a
partir de sua inspiração, empreendimento Bauhaus terá interiores com peças de
Oscar Niemeyer, Sérgio Rodrigues, Jorge Zalszupin e Ricardo Fasanello; ainda em
construção, prédio está localizado na esquina mais emblemática de Goiânia, em
frente ao Parque Vaca Brava
Projetado
a partir dos princípios da escola alemã homônima e de sua influência sobre a
arquitetura moderna, o Bauhaus – empreendimento da Sousa Andrade Construtora em
parceria com a Humanae Incorporadora e a GMP Incorporação – reforça seu diálogo
com o modernismo brasileiro com a ambientação de seu novo decorado, localizado
na própria torre do residencial, debruçado sobre o Parque Vaca Brava, entre as
avenidas T-10 e T-3. A proposta, assinada pela arquiteta Natália Veloso, parte
do mobiliário como elemento arquitetônico para estabelecer relações entre
forma, proporção, matéria e espaço.
Localizado
em frente ao maior cartão postal de Goiânia, o Bauhaus foi concebido com uma
arquitetura marcada pela racionalidade, pelos grandes vãos e pela integração
com a paisagem, formando “um infinito por andar”. Na composição dos ambientes,
o mobiliário não aparece apenas como complemento, mas como parte da linguagem
espacial, estabelecendo uma continuidade entre a arquitetura do edifício e a
tradição do design moderno brasileiro.
A
seleção reúne peças de diferentes momentos do modernismo nacional, escolhidas
pela capacidade de estabelecer conexão com os espaços do Bauhaus. Entre elas
está o banco Marquesa, de Oscar Niemeyer, cuja estrutura em madeira prensada e
palha natural traduz para o mobiliário a linguagem curva presente na obra do
arquiteto.
Também
integram a composição o Sofá Brasiliana e a Mesa Pétalas, de Jorge Zalszupin; a
poltrona Gio, de Sérgio Rodrigues; e a poltrona Esfera, de Ricardo Fasanello.
Apesar de distintas em desenho, materiais e processos produtivos, as peças
compartilham uma investigação sobre formas orgânicas, ergonomia e novas
possibilidades construtivas que marcaram o design brasileiro a partir da
segunda metade do século 20.
Para
a arquiteta, a escolha parte justamente dessa relação entre objeto e espaço. “O
projeto do Bauhaus é um tributo à arquitetura moderna brasileira. Para as áreas
comuns, trouxemos peças de mobiliário que são emblemáticas, projetadas por
arquitetos e designers consagrados mundialmente”, explica Natália Veloso.
Repertório brasileiro dentro do Bauhaus
A
curadoria também evidencia como o modernismo brasileiro reinterpretou conceitos
que tiveram origem no movimento moderno internacional. O banco Marquesa, por
exemplo, explora a madeira prensada e a palha natural para construir uma peça
de desenho contínuo. Já a poltrona Esfera, de Fasanello, aproxima processos
industriais e procedimentos artesanais por meio de uma estrutura moldada em
resina de poliéster e fibra.
A
poltrona Gio, criada por Sérgio Rodrigues no final da década de 1950, incorpora
outra vertente do período: a busca por um mobiliário mais informal e conectado
aos modos de viver brasileiros. São objetos que, assim como a arquitetura
moderna, deixam de tratar a forma como mero ornamento e passam a relacioná-la
diretamente à função, à estrutura e à experiência de uso.
“Em
um produto tão único como o Bauhaus, essas assinaturas não entram como simples
peças de decoração. São peças que contam um pouco sobre a história do design
brasileiro”, afirma a arquiteta.
Arquitetura, design e permanência
A
ambientação do Bauhaus reforça, portanto, uma característica fundamental do
projeto: a intenção de construir uma linguagem arquitetônica que atravesse
diferentes escalas. Dos grandes vãos e da relação visual com o Parque Vaca
Brava aos objetos que ocupam as áreas comuns, a proposta trabalha com elementos
que possuem autonomia formal, mas também participam de uma composição maior.
O
resultado é uma leitura contemporânea do modernismo, na qual peças históricas
são inseridas em um contexto atual sem perder sua identidade. “É um grande
privilégio poder usufruir de peças que são tão significativas, e por isso o
Bauhaus é um dos projetos mais icônicos de Goiânia”, destaca Natália.
Com
47 pavimentos e apartamentos de 350 a 740 metros quadrados, o Bauhaus mantém a
arquitetura como eixo central do projeto. A composição de interiores amplia
esse discurso ao transformar o mobiliário em instrumento de narrativa,
conectando o edifício ao legado de arquitetos e designers que ajudaram a
estabelecer a identidade do modernismo brasileiro.
O
decorado na torre está aberto para visitação do público de segunda à quinta das
8h às 17h, às sextas-feiras das 8h às 16h e aos sábados, de 8h às 12h.
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