Especialista Raimundo Carlos fala sobre sinais de sofrimento emocional, prevenção ao suicídio e a importância da família e dos amigos no cuidado com quem precisa de ajuda
O cuidado com a saúde mental, a prevenção ao suicídio e a importância do acolhimento foram os principais temas de mais um episódio do Conexão Dez, podcast do Portal Dez Minutos. Apresentado por Bruna Araújo, o programa recebeu Raimundo Carlos para uma conversa sobre o Setembro Amarelo e sobre como familiares e amigos podem perceber sinais de que alguém está enfrentando sofrimento emocional.
Durante a entrevista, Raimundo destacou que mudanças no comportamento e na rotina podem servir de alerta para as pessoas que convivem com quem está passando por um momento delicado.
“Ele começa a dar sinais, ele começa a mudar o comportamento, ele começa a mudar a rotina, ele começa a dizer que não tem mais vigor para nada.”
Segundo o convidado, o isolamento, a perda do interesse por atividades que antes faziam parte da rotina e manifestações de desesperança merecem atenção. Ele ressaltou que familiares não devem tratar essas mudanças como algo sem importância.
“Muita gente da família que não tem o conhecimento acha que é um piti, sabe? É uma coisa passageira.”
Para Raimundo, diante de sinais persistentes, o caminho é buscar acompanhamento especializado.
“Pode ser só um estado depressivo, mas é bom sempre consultar um profissional na área de saúde mental.”
Acolhimento sem julgamentos
Outro ponto destacado no Conexão Dez foi a maneira de abordar uma pessoa que está enfrentando sofrimento emocional. Para o entrevistado, estabelecer confiança e evitar uma postura agressiva ou impositiva são atitudes fundamentais.
“Você tem que ir junto com o paciente [...] e vai tentando conquistar.”
A conversa também reforçou que frases que diminuem o sofrimento de quem enfrenta depressão ou outros problemas emocionais devem ser evitadas. Comentários como “você tem uma vida tão boa” ou comparações com dificuldades enfrentadas por outras pessoas podem não contribuir para o acolhimento.
Raimundo observou ainda que, em alguns casos, a própria pessoa pode ter dificuldade para reconhecer que precisa de ajuda.
“Muitos casos a pessoa não percebe. Quem percebe é quem está convivendo, quem está junto.”
Quando não há condições financeiras para atendimento particular, ele mencionou os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) como uma alternativa na rede pública.
“Primeira coisa, um CAPS. Se a pessoa não tiver condições financeiras de uma clínica particular, já vai no CAPS.”
Família e amigos têm papel importante
Ao abordar a atuação das pessoas próximas, Raimundo destacou a necessidade de manter os vínculos e evitar que a pessoa em sofrimento fique completamente isolada.
“O papel dos amigos e dos familiares é não abandonar aquela pessoa.”
A presença da família também foi ressaltada na discussão sobre crianças e adolescentes. De acordo com o convidado, alterações no comportamento podem aparecer em diferentes situações e devem ser observadas pelos responsáveis.
Ele defendeu uma aproximação maior entre a família e o ambiente escolar.
“É importante também os pais terem um contato maior com a escola, com os professores. Tem que ter essa integração.”
Redes sociais e comparação
A influência das redes sociais na saúde emocional também entrou na pauta do episódio. O programa discutiu a pressão provocada pela exposição constante a imagens de sucesso, felicidade e vidas aparentemente perfeitas.
Para Raimundo, a comparação pode ser prejudicial.
“Ninguém tem que se comparar com ninguém. Cada um tem a sua vida.”
O convidado ainda ressaltou que, especialmente dentro das relações familiares, bens materiais não substituem cuidado, presença e afeto.
“Às vezes ele me deu amor, que foi o mais importante.”
Atividade física, amizades e diálogo
Na parte final do programa, durante o quadro de perguntas rápidas “10 de Primeira”, Raimundo apontou alguns hábitos que considera importantes para a saúde mental. Entre eles, citou a prática de atividades físicas e a manutenção das amizades.
Questionado sobre escolher entre o silêncio e uma boa conversa, respondeu:
“Conversa.”
Ao falar sobre como aliviar um dia estressante, voltou a destacar a importância das relações pessoais:
“Conversar com um amigo.”
Para o especialista, reconhecer que é necessário apoio também representa um passo importante. Perguntado sobre o que as pessoas precisam aprender a dizer mais, ele respondeu:
“Preciso de ajuda.”
Ao encerrar sua participação no Conexão Dez, a conversa reforçou a importância de tratar a saúde mental com seriedade, atenção e acolhimento durante todo o ano, não apenas no período dedicado à campanha do Setembro Amarelo.
O episódio completo do Conexão Dez, podcast do Portal Dez Minutos, está disponível nos canais oficiais do portal.
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