Quando uma pessoa procura ajuda por dependência de álcool ou outras drogas, a atenção costuma se concentrar no consumo da substância. Mas, segundo a psicóloga Caroline Dias Braga, é importante investigar se dificuldades como impulsividade, inquietação e falta de foco já existiam antes do uso. “Desde quando essa pessoa é inquieta? Ela sempre teve dificuldade para planejar, manter o foco ou concluir o que começa?”, questiona.
Uma meta-análise publicada em 2023, com 31 estudos e cerca de 12,5 mil pacientes, estimou que 21% das pessoas com transtorno por uso de substâncias também têm TDAH. Entre aquelas com transtorno por uso de álcool, o índice chega a aproximadamente 23%.
O problema é que sintomas do TDAH podem ser confundidos com efeitos da intoxicação ou da abstinência. Por isso, sinais como desatenção, impulsividade e desorganização precisam ser investigados, especialmente quando já estavam presentes na infância ou adolescência e continuam mesmo em períodos de sobriedade.
“Não se trata de dar uma desculpa para o vício, mas de oferecer uma direção mais precisa para o tratamento”, explica Caroline. Identificar o TDAH não substitui o tratamento da dependência, mas pode ajudar a compreender melhor o quadro e definir uma estratégia terapêutica mais adequada.
O tratamento pode envolver psicoterapia, como a Terapia Cognitivo-Comportamental, além de acompanhamento psiquiátrico quando indicado. TDAH e dependência química são condições diferentes, mas podem coexistir — e reconhecer as duas é fundamental para que o cuidado alcance a origem e não apenas as consequências do problema.
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