O presidente da Federação das Indústrias do Estado de Goiás (Fieg) e vice-presidente do Conselho Deliberativo do Sebrae Goiás, André Rocha, defendeu segunda-feira (10/8), na sede do Sebrae Goiás, em Goiânia, a ampliação da base florestal goiana como caminho para sustentar o crescimento da indústria, atrair investimentos e atender à demanda crescente por biomassa. A manifestação ocorreu durante a apresentação da proposta do Plano Diretor Florestal para o Estado de Goiás, estudo que aponta cerca de 8,2 milhões de hectares com potencial para o desenvolvimento da silvicultura.
Atualmente, Goiás possui aproximadamente 140 mil hectares de florestas plantadas. O diagnóstico considera disponibilidade e escala das propriedades rurais, características de solo e clima, relevo, regularização fundiária, logística e proximidade com mercados consumidores para identificar áreas com maior aptidão para a atividade.
Para André Rocha, a expansão da cadeia florestal ganha relevância diante do avanço de segmentos industriais que dependem de biomassa e das novas possibilidades abertas pela transição energética. Entre elas, citou a produção de etanol de milho, química verde, combustível sustentável de aviação e combustíveis marítimos. “Para que possamos crescer essa indústria, vamos precisar muito de biomassa. Então, esse é mais um motivo para discutirmos uma base florestal”, afirmou.
Além da geração de energia, André destacou oportunidades para ampliar em Goiás atividades ligadas à celulose, madeira, compensados, móveis e outros produtos de base florestal. Segundo ele, a diversidade da indústria goiana permite conectar a expansão das florestas plantadas a diferentes cadeias produtivas.
Investimentos e indústria
Durante o encontro, André Rocha relembrou as articulações realizadas nos últimos anos para melhorar as condições de atração de investimentos para Goiás. Segundo ele, mudanças promovidas em 2024 nos incentivos fiscais contribuíram para viabilizar mais de R$ 20 bilhões em investimentos, superando uma expectativa inicial de R$ 5 bilhões.
O presidente da Fieg citou como exemplo o avanço do etanol de milho. Conforme explicou, Goiás utilizava cerca de 1,5 milhão de toneladas do grão para fabricação do biocombustível. A atual safra começou com volume superior a 2 milhões de toneladas e a expectativa é alcançar 6 milhões de toneladas ao fim de 2027.
O crescimento também movimenta outras atividades por meio da produção de DDG, coproduto utilizado na alimentação animal, com reflexos sobre cadeias como a pecuária. “É um ganha-ganha”, resumiu André.
Potencial florestal
Responsável pela apresentação técnica, Mario Coso, head da ESG Tech Consulting, explicou que a proposta do Plano Diretor Florestal foi desenvolvida ao longo de aproximadamente dez meses, a partir de levantamentos técnicos, visitas ao interior de Goiás, consultas a produtores e empresários, workshops e encontros com potenciais investidores do setor.
O diagnóstico identificou crescimento da demanda por madeira e biomassa ao mesmo tempo em que a área plantada de eucalipto em Goiás apresentou redução nos últimos anos. Segundo os dados apresentados, o consumo de madeira no Estado está em torno de 4,8 milhões de metros cúbicos.
Somente novos projetos de etanol de milho anunciados para Goiás podem gerar demanda equivalente a aproximadamente 70 mil hectares adicionais de florestas plantadas. “Está faltando madeira e vai faltar madeira para os projetos que estão postos”, alertou Coso.
Entre as vantagens identificadas pelo estudo estão propriedades rurais de maior escala, solos e clima favoráveis, baixa incidência de geadas, relevo predominantemente plano ou suavemente ondulado e a localização de Goiás entre Minas Gerais e Mato Grosso do Sul, dois importantes produtores de florestas plantadas.
O trabalho também realizou um zoneamento para identificar regiões com maior aptidão para receber investimentos, considerando fatores como produtividade, condições de solo e clima e proximidade dos mercados consumidores de biomassa.
Plano de ação
A proposta organiza as ações em quatro pilares: expansão competitiva da base florestal; desenvolvimento de serviços, capacitação e inovação; integração entre indústria, logística e mercado; e governança, ambiente de negócios e sustentabilidade.
A partir desses eixos, foram definidos dez projetos, além de uma frente de gestão e acompanhamento, com indicação de responsáveis, instituições envolvidas, prazos, entregas e indicadores. A proposta prevê atuação integrada de diferentes áreas do governo e entidades ligadas ao setor produtivo.
O secretário de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Ademar Leal, destacou que o próximo desafio será transformar o diagnóstico em ações coordenadas. Segundo ele, Goiás já possui demanda por biomassa e precisa criar condições para aproximar a produção dos consumidores e oferecer maior previsibilidade aos produtores que investem em uma cultura com ciclo de longo prazo. “Temos o comprador. Então, agora temos de ajeitar para que essa produção fique próxima do consumidor, no preço adequado e com competitividade, para que todo mundo ganhe dinheiro”, afirmou.
Ademar também chamou atenção para a diferença entre o potencial identificado pelo estudo e a área atualmente cultivada. “Nós temos 8,2 milhões de hectares citados e apenas 140 mil hectares plantados. Você imagina o potencial de crescimento”, observou.
Construção conjunta
O presidente do Conselho Deliberativo do Sebrae Goiás, José Mário Schreiner, destacou que a proposta é resultado de uma discussão construída ao longo dos últimos anos, envolvendo entidades empresariais, governo e representantes das cadeias produtivas.
Ele lembrou a atuação de André Rocha e de Marduk Duarte, presidente do Conselho Temático da Agroindústria (CTA) da Fieg, nas discussões para fortalecer a cadeia florestal e criar condições para novos investimentos em Goiás.
José Mário ressaltou ainda o potencial de diferentes regiões goianas para receber florestas plantadas e ampliar a participação dessa cadeia na economia. “Quem conhece Goiás sabe do potencial que nós podemos ter com relação a essa importante cadeia produtiva que é de florestas no Estado de Goiás”, afirmou.
Para André Rocha, a continuidade do trabalho dependerá da união entre governo, setor produtivo e entidades. Ao encerrar sua participação, o presidente da Fieg defendeu que a execução do Plano ultrapasse gestões e organizações específicas e seja incorporada como compromisso permanente com o desenvolvimento de Goiás. “Isso tem que ser um trabalho de Estado, não é um trabalho de governo, não é um trabalho da Fieg ou da Faeg, ou do Fórum Empresarial, do Sebrae. E o meu sonho é que esse trabalho de Estado tenha reconhecimento para que, mais do que um trabalho de Estado, ele seja um trabalho e um propósito da sociedade goiana”, afirmou.
Também participaram da apresentação a deputada federal Marussa Boldrin; o secretário de Estado de Indústria, Comércio e Serviços, Joel de Sant’Anna Braga; a secretária de Estado da Economia, Renata Lacerda Noleto; o presidente da Companhia de Desenvolvimento Econômico de Goiás (Codego), Luiz Antônio Rosa; o diretor-superintendente do Sebrae Goiás, Antônio Carlos de Souza; o diretor técnico do Sebrae Goiás, Marcelo Lessa; o presidente do Conselho Temático da Agroindústria (CTA) da Fieg, Marduk Duarte; e o diretor regional interino do Senai Goiás e superintendente interino do Sesi Goiás, Claudemir Bonatto; além de dirigentes e representantes de órgãos do governo estadual, entidades empresariais e áreas técnicas.




