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| Foto: Magnific |
Especialista alerta para atração dos novos dispositivos e reforça que os riscos vão da dependência da nicotina a doenças respiratórias
O cigarro mudou de formato, ganhou sabores, aparência tecnológica e passou a atrair um público cada vez mais jovem. Entre brasileiros de 18 a 24 anos, o uso de dispositivos eletrônicos para fumar passou de 7,4%, em 2019, para 10,1% em 2024, segundo dados do Ministério da Saúde. O avanço chama atenção para uma nova face de um problema já conhecido: a dependência da nicotina e os danos provocados pelo tabagismo.
No Dia Nacional de Combate ao Fumo, celebrado em 29 de agosto, a pneumologista e gerente médica do Instituto de Neurologia de Goiânia (ING), Leticia Ferreira Neves Arantes, explica que a apresentação desses produtos ajuda a entender a atração entre os mais jovens. Sem o cheiro característico do cigarro convencional e associados a uma imagem de modernidade, os dispositivos podem contribuir para uma percepção equivocada de menor risco.
“O cigarro eletrônico foi estrategicamente construído para parecer atrativo ao público jovem, com uma roupagem de modernidade e tecnologia e sem o cheiro forte que as formas tradicionais de tabagismo apresentam. Mas ele não é, de forma alguma, seguro”, explica.
A exposição à nicotina e a outras substâncias presentes nesses dispositivos pode provocar ou agravar problemas respiratórios. Entre eles estão asma, bronquiolites, maior suscetibilidade a infecções, como pneumonias, e EVALI, nome dado à lesão pulmonar associada ao uso de cigarros eletrônicos.
O risco também não está restrito ao consumo frequente. Segundo a médica, qualquer exposição pode desencadear processos inflamatórios no organismo, que se intensificam com a continuidade do uso. Por isso, o cigarro consumido ocasionalmente não deve ser encarado como uma alternativa sem consequências para a saúde.
Danos ultrapassam quem fuma
Outro aspecto que amplia o impacto do tabagismo é a exposição involuntária à fumaça. Familiares, crianças e outras pessoas que convivem com fumantes podem sofrer consequências mesmo sem consumir diretamente o produto.
A inalação da fumaça pode desencadear processos inflamatórios e alterações celulares, além de aumentar a vulnerabilidade ao desenvolvimento de doenças. A exposição frequente dentro de casa merece atenção especial por atingir também pessoas que não fizeram a escolha de fu
Por outro lado, abandonar o cigarro traz benefícios em qualquer fase da vida. Após a interrupção, pressão arterial e frequência cardíaca começam a apresentar mudanças favoráveis. Nos meses seguintes, tosse e falta de ar podem diminuir e, com o passar dos anos, ocorre redução progressiva dos riscos associados às doenças cardiovasculares e ao câncer.
Para Leticia Ferreira Neves Arantes, esses benefícios mostram que mesmo quem fuma há muito tempo pode mudar a própria perspectiva de saúde ao abandonar o hábito e, quando necessário, procurar acompanhamento para enfrentar a dependência da nicotina.
“Cuide do seu bem mais precioso, que é a sua saúde, e preocupe-se com a qualidade de vida futura. Procure manter hábitos saudáveis e não se deixe levar por produtos que podem causar dependência e adoecimento”, finaliza.
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