Produtos com Denominação de Origem agregam valor e ampliam experiências gastronômicas



Certificação reconhece alimentos e bebidas ligados ao território de origem, fortalece produtores e cria oportunidades para bares e restaurantes oferecerem experiências mais autênticas 


Escolher um vinho, uma cachaça, um queijo ou até um mel pode representar muito mais do que uma decisão de consumo. Cada vez mais presentes em bares, restaurantes e roteiros turísticos, produtos com Denominação de Origem (DO) carregam características ligadas ao território onde são produzidos e oferecem aos consumidores a garantia de que seguem critérios específicos de produção. 


A certificação, modalidade de Indicação Geográfica (IG) reconhecida pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), identifica alimentos e bebidas cujas características dependem diretamente do ambiente geográfico, considerando fatores naturais, como solo e clima, além dos conhecimentos tradicionais desenvolvidos ao longo das gerações.  


Segundo informações do Ministério da Agricultura e Pecuária, o número de Indicações Geográficas reconhecidas no Brasil tem crescido nos últimos anos, refletindo o interesse crescente por produtos associados à origem e à identidade regional. 


Para bares e restaurantes, incorporar esses itens ao cardápio representa uma oportunidade de oferecer experiências diferenciadas, valorizando produtores locais e aproximando os consumidores da história por trás dos alimentos e bebidas. 


Certificação fortalece tradição e autenticidade 


Em Luiz Alves (SC), região reconhecida por sua Indicação Geográfica, o Alambique Rein comercializa destilados há 15 anos e mantém uma tradição familiar na produção de cachaças, além de gin, rum, whisky, licores exclusivos e aguardente de mel envelhecida. 


As cachaças produzidas pelo alambique possuem Denominação de Origem. "Nosso alambique tem DO em todas, desde as brancas até as envelhecidas”, conta Orécio Rech, sócio do estabelecimento. 


Para obter e manter a certificação, o empreendimento atende a uma série de requisitos relacionados tanto ao território quanto ao processo produtivo. "São vários critérios necessários para a certificação, que vão desde o plantio em território permitido pela Indicação Geográfica, uso de leveduras nativas, técnicas centenárias e cultivo de canas nativas da região", explica o empresário. 


Segundo Rech, além de assegurar a autenticidade do produto, o selo também reforça sua credibilidade ao reconhecer a relação entre a bebida e o território onde ela é produzida. 


Consumidor ainda precisa conhecer melhor a certificação 


Apesar dos diferenciais, produtores avaliam que a Denominação de Origem ainda é pouco conhecida pelo público, o que limita o impacto comercial da certificação. "Ter DO ainda não impacta muito, pois os consumidores não sabem bem o que significa um produto com Denominação de Origem", afirma Rech. 


Quando compreende o significado do selo, o consumidor passa a enxergar o produto sob outra perspectiva. Além da qualidade, conhece a história da produção, os métodos utilizados e a relação entre aquele alimento ou bebida e a região onde foi desenvolvido. 


Segundo o empresário, esse reconhecimento também contribui para proteger produtos tradicionais e reduzir falsificações, fortalecendo a identidade dos territórios produtores. 


Gastronomia transforma origem em diferencial competitivo 


O turismo gastronômico tem ampliado o espaço para produtos certificados nos estabelecimentos. Em Santa Catarina, o projeto Destino Sul do Brasil – Terroirs e Experiências, desenvolvido pelo Sebrae/SC em parceria com a Associação Brasileira da Indústria de Hotéis de Santa Catarina (ABIH-SC), incentiva hotéis, bares, restaurantes e outros empreendimentos turísticos a incorporar alimentos e bebidas com Indicação Geográfica em cafés da manhã, cardápios, kits de boas-vindas e experiências sensoriais. 


A iniciativa acompanha uma mudança no perfil do turista, cada vez mais interessado em conhecer a cultura local também por meio da gastronomia. Ao utilizar produtos certificados, os estabelecimentos agregam valor às experiências oferecidas, fortalecem produtores regionais e ampliam a conexão entre visitantes e o destino. 


Santa Catarina está entre os estados brasileiros com maior número de Indicações Geográficas reconhecidas pelo INPI. Atualmente, reúne 12 certificações, incluindo Banana de Corupá, Mel de Melato da Bracatinga, Maçã Fuji da Região de São Joaquim, Linguiça Blumenau, Vinhos de Altitude e Alho Roxo do Planalto Catarinense, além de outras certificações em processo de reconhecimento. 


Segundo a Abrasel, iniciativas como essas mostram que a valorização de produtos com origem certificada pode fortalecer toda a cadeia da alimentação fora do lar. Para bares e restaurantes, a estratégia permite diferenciar o cardápio, contar histórias por meio da gastronomia e oferecer experiências que unem sabor, cultura e identidade regional.


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