Julho Turquesa termina, mas alerta sobre a Síndrome do Olho Seco permanece

 

 


A campanha Julho Turquesa, que tem como foco a orientação sobre a Síndrome do Olho Seco, termina nesta sexta-feira (31), mas a atenção à saúde dos olhos deve fazer parte da rotina durante todo o ano. Especialistas alertam que hábitos cada vez mais comuns, como o uso prolongado de celulares, tablets e computadores, favorecem o surgimento da doença., que pode afetar até um em cada quatro brasileiros.

Ao longo da campanha, oftalmologistas reforçaram a importância da prevenção, do reconhecimento precoce dos sintomas e da busca por avaliação médica. Embora por muito tempo tenha sido associada principalmente ao envelhecimento, a Síndrome do Olho Seco pode atingir pessoas de diferentes faixas etárias.

O uso prolongado de telas está entre os fatores que contribuem para o problema, já que, durante atividades que exigem atenção visual, como assistir a vídeos, jogar ou navegar pelo celular, a frequência do piscar tende a diminuir. Com isso, a distribuição da lágrima sobre a superfície ocular é prejudicada, favorecendo a evaporação e o ressecamento.

Entre os sintomas mais comuns estão ardência, vermelhidão, coceira, sensação de areia nos olhos e sensibilidade à luz. Outro sinal, segundo a médica oftalmologista do Instituto Panamericano da Visão(IPVisão), Karime Iwamoto, é a sensação de “embaçamento”. “O paciente acha que o problema são os óculos ou o grau que mudou, mas, às vezes, o problema é o olho seco”.



Também existe um ponto contraditório: alguns pacientes percebem que os olhos lacrimejam mais. “Nesses casos, o paciente não produz uma lágrima de qualidade. É como um efeito rebote do ressecamento”, alerta a médica.

Dados da Sociedade Brasileira de Oftalmologia (SBO) apontam que cerca de 90% das pessoas que permanecem mais de três horas por dia diante de telas apresentam algum sintoma relacionado ao esforço visual ou à superfície ocular, incluindo manifestações de olho seco. Já estimativas indicam que a Síndrome do Olho Seco atinge entre 13% e 24% dos brasileiros. Em estudos internacionais, a prevalência varia de 14% a 50% da população, dependendo da faixa etária e dos critérios utilizados para o diagnóstico.

O excesso de telas, no entanto, não é o único fator associado ao desenvolvimento da doença. Ambientes climatizados, baixa umidade do ar, poluição, uso prolongado de lentes de contato e determinados medicamentos também podem aumentar o risco de ressecamento ocular.

“No momento em que estamos mais concentrados (como em frente às telas), piscamos menos e o olho resseca”, acrescenta a especialista. Além disso, determinadas doenças podem gerar o problema. “O paciente diabético, por exemplo, tem mais alterações vasculares e com pré-disposição na formação de lesões na córnea, associadas ao ressecamento e à glicemia alterada”.

Crianças também precisam de atenção

A saúde ocular de crianças e adolescentes merece atenção especial. Muitas vezes, os mais novos não conseguem identificar ou comunicar claramente o desconforto causado pelo ressecamento dos olhos. Alguns sinais, porém, podem indicar que algo não está bem, como irritabilidade, dificuldade de concentração, hábito frequente de esfregar os olhos e redução do rendimento em atividades que exigem esforço visual, como leitura e estudos.

A prevenção pode começar com mudanças simples na rotina. Fazer pausas regulares durante o uso de telas, estimular o piscar voluntário e manter uma boa hidratação são algumas das medidas que ajudam a reduzir o desconforto. Também é recomendado evitar a exposição direta ao fluxo de ar-condicionado e posicionar o monitor ligeiramente abaixo da linha dos olhos, o que pode contribuir para diminuir a evaporação da lágrima.

O diagnóstico adequado é importante para identificar a causa do problema e definir o tratamento mais indicado para cada paciente, já que a abordagem pode variar de acordo com os fatores envolvidos.

Resistir à coceira no olho

Os olhos secos podem gerar coceira, mas é importante resistir à tentação de coçar. “Jamais passe a mão suja no olho. Para essas situações, temos os colírios lubrificantes, que promovem um conforto maior”, orienta Karime Iwamoto.

É necessário consultar um médico oftalmologista para saber qual o medicamento adequado para cada caso. A recomendação é ir ao especialista, pelo menos, uma vez ao ano, tanto para analisar o grau dos óculos e acompanhar possíveis enfermidades, quanto para receber as dicas para o alívio de incômodos. 

“A consulta oftalmológica é completa e podemos até detectar doenças que não geram sintomas iniciais, como o glaucoma, que pode levar à cegueira irreversível”, alerta a médica. Portanto, o recado é claro: a campanha Julho Turquesa termina hoje, mas os cuidados oculares devem se manter por todo o ano.

Postar um comentário

Postagem Anterior Próxima Postagem
Bio Caldo - Quit Alimentos