Entre os dias 12 e 23 de agosto, o público poderá assistir a quase sete
décadas da trajetória do diretor que completa 95 anos em 2026. Programação
reúne 17 longas-metragens, dois documentários sobre ele, filme inédito em
Curitiba, obra restaurada em 4K e master class com o cineasta.
Ruy Guerra, um dos maiores cineastas brasileiros e um dos fundadores do Cinema Novo, estará em Curitiba para participar da Mostra Retrospectiva Ruy Guerra, na CAIXA Cultural. Além de acompanhar a programação, o diretor participa de uma coletiva de imprensa e ministra uma master class no dia 14 de agosto. Foto: Kaio Caiazzo /Amuleto Filmes
Poucos
realizadores marcaram tão profundamente a história do cinema brasileiro quanto
Ruy Guerra. Um dos fundadores do Cinema Novo, parceiro de nomes como Gabriel
García Márquez, Chico Buarque, Edu Lobo e Milton Nascimento, o cineasta chega
aos 95 anos mantendo o mesmo entusiasmo criativo que o tornou uma das figuras
mais importantes da cultura brasileira.
Para celebrar
essa trajetória, a CAIXA Cultural Curitiba apresenta, entre 12 e 23
de agosto, a Mostra Retrospectiva Ruy Guerra, que reúne quase toda a
filmografia do diretor. Ao longo de doze dias serão exibidos 17 longas-metragens,
além de dois documentários dedicados à sua vida e obra, oferecendo ao público
uma rara oportunidade de acompanhar quase sete décadas de produção
cinematográfica em uma única programação.
A
retrospectiva contempla desde o longa de estreia, Os Cafajestes (1962),
até A Fúria (2024), produção mais recente do diretor que encerra a
chamada "Trilogia dos Fuzis", iniciada com Os Fuzis (1964) e
continuada por A Queda (1978). Também integra a programação o raríssimo Ternos
Caçadores (1969), recentemente restaurado em resolução 4K e exibido
novamente após muitos anos fora de circulação.
Além das
sessões, o público poderá participar, no dia 14 de agosto, às 19h30,
de uma master class conduzida pelo próprio Ruy Guerra, que
abordará a construção artística e política da trilogia formada por Os Fuzis,
A Queda e A Fúria, obras que atravessam seis décadas de história
brasileira por meio de um mesmo personagem.
A programação
inclui ainda o lançamento de um catálogo digital com uma extensa
entrevista inédita concedida pelo cineasta ao curador e organizador da mostra, Aristeu
Araújo, oferecendo ao público um panorama de sua trajetória artística, suas
influências literárias e seu pensamento sobre cinema.
"Sempre
tive uma paixão muito grande pela palavra. Queria ser escritor antes de ser
cineasta. O cinema acabou sendo o caminho possível para contar histórias, mas
continuo lendo o dicionário todos os dias como quem lê um romance. A palavra
continua sendo o centro de tudo o que faço", afirma Ruy Guerra.
Nascido em
Moçambique, durante o período colonial português, Guerra estudou cinema em
Paris no momento em que surgia a Nouvelle Vague francesa. Chegou ao Brasil em
1958 trazendo uma sólida formação cinematográfica e participou da fundação do
Cinema Novo ao lado de Glauber Rocha, Cacá Diegues e outros realizadores que
transformaram definitivamente a linguagem do cinema nacional.
Ao longo de
quase 70 anos de carreira, construiu uma filmografia marcada pelo compromisso
político, pela experimentação estética e pela constante aproximação com a
literatura. Adaptou obras de Gabriel García Márquez, Chico Buarque e Antonio
Callado, escreveu peças, poemas e letras de músicas interpretadas por grandes
nomes da MPB, consolidando uma produção artística que ultrapassa as fronteiras
do cinema.
Segundo o
curador da mostra, Aristeu Araújo, a retrospectiva representa uma oportunidade
rara para compreender a dimensão da obra do diretor.
"É uma
oportunidade única para o público acompanhar praticamente toda a trajetória de
Ruy Guerra e perceber como sua obra dialoga com diferentes momentos da história
do Brasil e do mundo. Ele recebeu com entusiasmo o projeto e está muito animado
em reencontrar o público em Curitiba."
A realização
da retrospectiva também exigiu um extenso trabalho de pesquisa e preservação do
patrimônio audiovisual brasileiro. Muitas obras de Ruy Guerra sobreviveram
apenas em materiais deteriorados ou com cópias de difícil acesso, tornando a
organização da mostra um verdadeiro trabalho de arqueologia cinematográfica.
"Grande
parte da história do cinema brasileiro enfrenta sérios desafios de preservação.
Reunir esta retrospectiva significou localizar materiais espalhados em
diferentes acervos, avaliar inúmeras versões e buscar sempre a melhor cópia
disponível para cada filme. Tivemos um trabalho cuidadoso de garimpo para
oferecer ao público exibições com a melhor qualidade possível", destaca
Aristeu Araújo.
Entre os
destaques da programação está justamente Ternos Caçadores, produção
francesa realizada em 1969 que permaneceu durante décadas praticamente
inacessível ao público brasileiro e que agora retorna às telas em versão
restaurada em 4K. Outro momento especial será a exibição de A Fúria,
lançado recentemente e ainda pouco visto pelo público, encerrando uma trilogia
iniciada há mais de sessenta anos.
Além dos
longas de ficção, a mostra exibe os documentários Tempo Ruy (2021),
dirigido por Adilson Mendes, e O Homem que Matou John Wayne (2015), de
Bruno Laet e Diogo Oliveira, que ampliam o olhar sobre o pensamento e o
processo criativo do cineasta.
Mesmo aos 95
anos, Ruy Guerra continua desenvolvendo novos projetos e mantém o humor
característico ao falar sobre o futuro.
"Decidi
que vou viver até os 117 anos. Até os 100 ainda quero fazer cinema. Depois
disso pretendo voltar ao meu primeiro amor, que sempre foi a literatura."
A
retrospectiva reafirma a importância de um artista cuja obra permanece atual ao
discutir desigualdade, violência, poder, liberdade e justiça social, temas que
atravessam diferentes períodos da história brasileira e continuam provocando
reflexão nas novas gerações.
Curadoria
Aristeu Araújo é cineasta, com passagens pelo teatro e pela literatura. Graduado em Cinema pela UFF e em Jornalismo pela UFRN, já fez curadoria de dezenas de mostras cinematográficas, dirigiu doze curtas e montou cerca de 40 filmes, entre longas e curtas. Atua no cinema principalmente como montador, assinando as edições dos longas "Mães do Derick”, de Cássio Kelm (Prêmio de Melhor Montagem no 14º For Rainbow), e “A Mesma Parte de Um Homem”, de Ana Johann (finalista no Prêmio Abcine de Melhor Montagem de Ficção). No momento trabalha na montagem de "1989", dirigido por Juliana Sanson, e está finalizando seu primeiro longa, o filme "A Ponte".
Serviço
Mostra Retrospectiva Ruy Guerra
Quando: 12 a 23 de agosto de 2026
Onde: CAIXA Cultural Curitiba (Rua Conselheiro Laurindo, 280 –
Centro)
Capacidade máxima:
123 lugares + 02 espaços para cadeirantes
Ingresso:
Gratuito
Retirada de ingressos 60 minutos antes de cada sessão,
na
bilheteria do teatro.
Verifique a classificação indicativa de cada filme.
Master class com Ruy Guerra
Quando: 14 de agosto
Horário: 19h30
Onde: CAIXA Cultural Curitiba (Rua Conselheiro Laurindo, 280 –
Centro)
Tema: A Trilogia
dos Fuzis (Os Fuzis, A Queda e A Fúria)
Ingresso: Gratuito
Classificação: 14 anos
*Este projeto foi viabilizado com patrocínio da CAIXA.




