Cardiologista explica como relações de confiança ajudam a reduzir o estresse e favorecem hábitos mais saudáveis
O
Dia dos Namorados costuma ser associado a gestos de carinho, companheirismo e
demonstrações de afeto. Mas os benefícios de ter alguém com quem contar podem
ir muito além da vida amorosa. Estudos têm mostrado que conexões afetivas e
relações de confiança também exercem influência sobre a saúde física.
Cada
vez mais, questões emocionais vêm sendo reconhecidas como componentes
importantes na prevenção e no tratamento de doenças. Atualmente, o equilíbrio
emocional é considerado tão relevante para a qualidade de vida quanto o
controle da pressão arterial, do colesterol e a adoção de hábitos saudáveis.
Estresse,
ansiedade, solidão e qualidade dos relacionamentos passaram a receber mais
atenção dos profissionais da área. Evidências científicas mostram que o
sofrimento emocional prolongado pode desencadear alterações no organismo
capazes de influenciar diretamente o risco de adoecimento.
O
cardiologista do Hospital Encore, Lucas Nolêto, destaca que a prevenção
cardiovascular passou a considerar não apenas os riscos tradicionais, mas
também o impacto das emoções e da saúde mental sobre o organismo.
"Fatores
emocionais e psicológicos podem aumentar o risco de problemas cardíacos. Por
isso, o cuidado com a saúde emocional passou a ocupar um papel tão importante
quanto o controle dos fatores de risco tradicionais", afirma.
Como
a solidão afeta o coração
Se
relações de confiança funcionam como um fator de proteção, a ausência delas
pode produzir o efeito contrário. O isolamento social tem sido associado a um
maior risco de infarto, acidente vascular cerebral (AVC), insuficiência
cardíaca e outras doenças que afetam o coração e a circulação.
O
médico explica que a falta de conexões sociais e afetivas não provoca apenas
sofrimento emocional, mas também desencadeia reações físicas capazes de
comprometer o organismo ao longo do tempo.
"A
solidão adoece o coração porque mantém o organismo em um estado contínuo de
vigilância. Esse cenário favorece processos inflamatórios e enfraquece
mecanismos que ajudam a proteger o sistema circulatório", pontua.
Além
das alterações biológicas, o isolamento costuma estar associado à piora da
qualidade do sono, ao aumento da ansiedade e à adoção de hábitos menos
saudáveis, condições que também contribuem para o surgimento de doenças.
Ter
alguém ao lado faz diferença
Mais
do que companhia, uma rede de apoio formada por familiares, amigos ou um
parceiro pode exercer papel importante na proteção da saúde.
Pessoas
que contam com relações próximas e de confiança costumam aderir melhor aos
tratamentos médicos, praticar mais atividade física e buscar ajuda mais
rapidamente diante de sinais de alerta. Além disso, familiares e amigos
frequentemente são os primeiros a perceber mudanças no estado de saúde e
incentivar a procura por atendimento médico.
A
convivência com pessoas de confiança também ajuda a reduzir os níveis de
estresse e favorece hábitos que contribuem para o bem-estar.
O
cuidado com o coração, porém, deve ser entendido de forma ampla. Além da
alimentação equilibrada, da prática regular de exercícios físicos e do
acompanhamento médico, preservar a estabilidade emocional e cultivar relações
de confiança também fazem parte da prevenção.
"O equilíbrio emocional é fundamental para manter o funcionamento adequado dos sistemas nervoso e hormonal. Quando essa estabilidade é perdida, o organismo permanece em alerta constante, gerando um desgaste que também afeta o coração", conclui Lucas Nolêto.





