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Perda progressiva de força e alterações na visão podem indicar tumores intracranianos

 

Dr. Vladimir Arruda Zaccariotti (Foto: Divulgação)

Neurocirurgião destaca importância do diagnóstico precoce e dos avanços no tratamento

Dificuldade progressiva para movimentar um braço ou uma perna, alterações na visão, perda de equilíbrio, mudanças na fala e crises convulsivas estão entre os sinais que podem estar associados a tumores intracranianos. Em muitos casos, os sintomas surgem lentamente e acabam sendo negligenciados pelos pacientes.

“O mais característico nesses tumores é justamente a perda gradual de alguma função neurológica. A pessoa vai percebendo aos poucos alterações de força, visão, equilíbrio ou fala, e isso piora progressivamente ao longo das semanas ou meses”, explica o neurocirurgião do Instituto de Neurologia de Goiânia, Vladimir Arruda Zaccariotti, que atua na área de neurocirurgia oncológica.

Ao contrário do que muita gente imagina, a dor de cabeça isolada nem sempre é o principal sintoma. A cefaleia merece maior atenção principalmente quando muda de padrão, passa a ser mais intensa ou surge acompanhada de sinais como perda de força, alterações visuais e dificuldades de equilíbrio.

Tumores podem ter origens diferentes

Os tumores intracranianos podem ser divididos em diferentes grupos. Existem aqueles que se originam das próprias células do cérebro, geralmente mais agressivos, além das lesões que surgem das membranas que envolvem o cérebro, que costumam apresentar crescimento mais lento. Também há os casos metastáticos, quando um câncer iniciado em outra parte do corpo se espalha para o cérebro.

“Câncer de mama, pulmão, pele, rim e intestino estão entre os que mais podem gerar metástases cerebrais. Infelizmente, esses casos são bastante frequentes”, destaca o médico.

Na maioria das vezes, não existe uma causa claramente identificada para o desenvolvimento da doença. Os casos costumam estar mais relacionados a alterações genéticas do que propriamente a hábitos de vida.

Avanços tecnológicos ampliaram possibilidades de tratamento

O diagnóstico geralmente é feito por meio da avaliação clínica e de exames de imagem, principalmente a ressonância magnética, que permite identificar a localização e as características da lesão com maior precisão.

Os avanços tecnológicos também mudaram significativamente o tratamento dos tumores intracranianos nas últimas décadas. Atualmente, existem cirurgias convencionais, técnicas minimamente invasivas, procedimentos endoscópicos e tratamentos com radiação focal, como a radiocirurgia.

“Hoje buscamos tratamentos menos agressivos e com maior preservação funcional. Muitas vezes, não é necessário retirar totalmente o tumor se isso puder provocar sequelas importantes. Em alguns casos, associamos cirurgia e radioterapia justamente para preservar a qualidade de vida do paciente”, pontua o neurocirurgião.

Ele reforça que as cirurgias cranianas atuais são muito mais seguras do que eram há alguns anos e que o tratamento precoce pode evitar sequelas mais graves no futuro.

Além do acompanhamento médico, o suporte emocional e familiar também exerce papel importante durante toda a jornada do paciente. A orientação é procurar avaliação especializada diante de alterações persistentes ou progressivas, principalmente quando há mudanças na força, no equilíbrio, na visão ou na fala.

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