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Pressão alta pode passar anos sem sintomas e só aparecer após complicações

 

Exame simples e essencial para o diagnóstico e o controle da hipertensão (Foto: Freepik)

Condição afeta cerca de 30% dos adultos no Brasil e está entre as principais causas de infarto e acidente vascular cerebral (AVC)

 Conviver com a pressão alta sem saber é mais comum do que parece — e é justamente aí que mora o risco. A hipertensão arterial pode evoluir por anos sem sinais claros e, muitas vezes, só é descoberta após alguma complicação mais grave.

No Brasil, cerca de 30% da população adulta vive com a doença, segundo estimativas do Ministério da Saúde — o equivalente a quase um em cada três brasileiros. Em muitos casos, o diagnóstico só acontece após episódios como infarto ou acidente vascular cerebral (AVC).

Para a cardiologista do Instituto de Neurologia de Goiânia (ING) e do Hospital Encore, Anna Luiza Souza, o caráter silencioso da doença ainda é um dos principais desafios. “A pessoa pode se sentir bem durante anos, enquanto a pressão permanece elevada e vai comprometendo o organismo aos poucos. Quando surgem sinais, muitas vezes o quadro já avançou”, explica.

Celebrado em 26 de abril, o Dia Nacional de Prevenção e Combate à Hipertensão Arterial reforça a importância do diagnóstico precoce e do acompanhamento regular, mesmo na ausência de sintomas.

Doença silenciosa com impactos progressivos

A hipertensão ocorre quando a pressão do sangue nas artérias se mantém elevada de forma persistente, fazendo com que o coração trabalhe sob esforço constante. Com o tempo, esse processo favorece o desgaste dos vasos sanguíneos e o surgimento de doenças cardiovasculares.

Entre as principais consequências estão o infarto, a insuficiência cardíaca e o aumento do músculo do coração. No cérebro, o impacto é direto: a pressão alta é um dos principais fatores de risco para o AVC, popularmente conhecido como derrame. Já os rins podem sofrer perda progressiva de função, podendo levar à insuficiência renal.

Embora algumas pessoas relatem sintomas como dor de cabeça, tontura ou visão embaçada, esses sinais não são suficientes para identificar a doença. “A hipertensão não depende de sintomas para ser detectada. Por isso, medir a pressão regularmente é fundamental, mesmo quando não há qualquer queixa”, reforça a médica

Hábitos do dia a dia fazem a diferença

O desenvolvimento da doença está associado a uma combinação de fatores. Histórico familiar, excesso de peso, consumo elevado de sal, sedentarismo, tabagismo, uso frequente de álcool e estresse estão entre os principais fatores de risco. Além disso, condições como diabetes, doença renal e apneia do sono também aumentam a probabilidade de desenvolver pressão alta.

Apesar disso, a prevenção está diretamente ligada às escolhas do dia a dia. Alimentação equilibrada, prática regular de atividade física, redução do consumo de sal e abandono do cigarro estão entre as medidas mais eficazes para manter a pressão sob controle.

A recomendação é de pelo menos 150 minutos semanais de atividade física, distribuídos ao longo da semana. Pequenas mudanças de hábito, quando mantidas de forma consistente, já são capazes de reduzir riscos e melhorar a qualidade de vida.

Em alguns casos, o uso de medicamentos é necessário, principalmente quando a pressão está mais elevada ou há maior risco cardiovascular. Ainda assim, o tratamento deve ser individualizado e acompanhado por um profissional de saúde.

Para a especialista, o cuidado com a pressão precisa ser contínuo. “Não é uma ação isolada que protege o paciente, mas o conjunto de hábitos mantidos ao longo do tempo. É isso que reduz o risco de complicações e ajuda a preservar a saúde”, conclui Anna Luiza Souza.

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