Fieg Jovem promove debate sobre reforma tributária e impactos para empresas

Em meio à maior transformação do sistema tributário brasileiro nas últimas décadas, empresários buscam entender como as novas regras vão impactar custos, investimentos e decisões de negócio. De olho nessas mudanças, a Fieg Jovem realizou quinta-feira (26/03), na Casa da Indústria, mais uma edição da trilha 360 Talks, iniciativa voltada ao debate de temas que impactam diretamente o setor produtivo. O encontro teve como foco a Reforma Tributária e reuniu empresários e especialistas para discutir mudanças, riscos e oportunidades para as empresas diante do novo modelo.

O empresário e presidente do Conselho de Assuntos Econômicos (Conat) da Fieg, Eduardo Zuppani, abriu o debate contextualizando as mais de três décadas de discussões até a aprovação da reforma em 2023 e sua regulamentação posterior. Ele destacou que, embora o novo sistema tenha simplificado regras e reduzido distorções históricas, também traz desafios para Estados fora dos grandes centros consumidores. “A reforma desburocratizou e trouxe ganhos importantes, como a não cumulatividade plena, mas comprometeu a competitividade de Estados como Goiás ao limitar incentivos fiscais. É preciso olhar para o desenvolvimento de longo prazo”, afirmou. Segundo ele, a carga tributária média da indústria pode cair de cerca de 34% para 26%, mas os efeitos variam conforme o segmento.

Na sequência, o advogado tributarista Phillip Krauspenhar abordou os impactos da reforma sobre o consumo e os desafios do período de transição, quando os sistemas antigo e novo irão coexistir. “Esse momento tende a gerar aumento de litígios, já que a legislação ainda apresenta lacunas. A reforma nem começou plenamente e já vemos disputas surgindo. As empresas precisam se preparar para esse ambiente e revisar suas estratégias”, pontuou. Ele também alertou para possíveis efeitos sobre regimes como o Simples Nacional, especialmente em relação ao creditamento de tributos.

O sócio da HD Advogados, Luiz Filipe Dutra, chamou atenção para mudanças específicas que podem impactar setores distintos, como o mercado imobiliário. “Hoje não há incidência de ISS e ICMS sobre locação de imóveis, mas isso muda com a reforma. As empresas precisam revisar contratos e avaliar os novos custos tributários para evitar surpresas”, explicou.

Para o presidente da Fieg Jovem, Lucas Bernardino, a trilha 360 Talks cumpre o papel de aproximar os jovens empresários de temas complexos e atuais. “Nosso objetivo é levar informação de qualidade para que os conselheiros possam tomar decisões mais seguras. A reforma tributária exige preparo e entendimento técnico, e esse espaço permite exatamente essa troca direta com especialistas”, destacou.

O encontro contou ainda com presença dos presidentes Anastácios Dagios (Comdefesa) e Elvis Roberson (Sindicalce), além da assessora técnica da Fieg Jovem, Luciana Machado, e do assessor econômico da Fieg, Cláudio Henrique Oliveira.


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