Doença tem tratamento gratuito pelo SUS e pode ser curada quando identificada no início; atenção aos primeiros sinais faz a diferença
O boletim epidemiológico destaca a ocorrência de novos casos em menores de 15 anos, sinalizando a persistência da transmissão da doença. (Foto: Débora Alves/IMED)
A hanseníase, doença infecciosa crônica que acomete principalmente a pele e os nervos periféricos e que ainda configura um desafio para a saúde pública no Brasil, é foco de alerta à população pela Policlínica Estadual da Região Nordeste II – Posse. A unidade do Governo de Goiás, administrada pelo Instituto de Medicina, Estudos e Desenvolvimento (IMED), destaca a importância do diagnóstico e do início oportuno do tratamento como medidas essenciais para a prevenção de sequelas e para a garantia da cura.
De acordo com a dermatologista da Policlínica de Posse, Márcia Gabrielle Bonfim, os sinais mais comuns da hanseníase são manchas na pele, que podem ser esbranquiçadas, avermelhadas ou arroxeadas, geralmente acompanhadas de dormência, perda de sensibilidade ao frio, ao calor e à dor.
“Essas manchas costumam não doer e não coçar, o que faz com que muitas pessoas ignorem os sintomas. No entanto, a perda de sensibilidade é um sinal de alerta importante e deve ser avaliada por um profissional de saúde”, explica a médica.
A dermatologista também esclarece que um dos principais mitos sobre a doença é a forma de transmissão. “Diferente do que muitas pessoas acreditam, a hanseníase não é transmitida pelo contato direto com as lesões de pele. A transmissão ocorre pelas vias respiratórias, por meio de gotículas eliminadas pelo nariz e pela boca, e exige um contato íntimo e prolongado com uma pessoa doente sem tratamento”, destaca Márcia Gabrielle.
Informação e diagnóstico precoce salvam vidas
Segundo a especialista, a hanseníase tem tratamento eficaz, é gratuito e está disponível pelo Sistema Único de Saúde (SUS). “O tratamento é simples, oferecido pelo SUS e leva à cura. Quanto mais cedo ele é iniciado, menores são as chances de complicações e sequelas, como o comprometimento dos nervos periféricos e a perda de sensibilidade nas mãos e nos pés”, reforça.
Dados do Boletim Epidemiológico Especial de Hanseníase, divulgado pelo Ministério da Saúde no final de janeiro deste ano, mostram que entre 2015 e 2024 o Brasil notificou 301.475 casos da doença, sendo 79% classificados como casos novos. Apesar da redução observada durante os anos da pandemia de Covid-19, o levantamento aponta que a hanseníase segue com transmissão ativa em diversas regiões do país.
Para a dermatologista, a informação é uma das principais ferramentas no enfrentamento da doença. “A hanseníase ainda carrega muito estigma, o que dificulta a busca por atendimento. Por isso, é fundamental falar sobre o tema, orientar a população e incentivar as pessoas a procurarem ajuda ao primeiro sinal”, afirma ela. A Policlínica de Posse orienta que, ao perceber sintomas suspeitos ou ao conhecer alguém com sinais da doença, a pessoa procure imediatamente uma unidade de saúde para avaliação e início do tratamento adequado.






