Durante o Fevereiro Roxo, mês dedicado à conscientização sobre doenças neurológicas crônicas como o Alzheimer, o Hospital Mater Dei Goiânia chama atenção para o crescimento dos casos e a importância de reconhecer precocemente os sinais da doença, que ainda são frequentemente confundidos com o envelhecimento natural.
A campanha também aborda outras doenças crônicas incuráveis, como o lúpus e a fibromialgia. Estimativas indicam que a fibromialgia atinge cerca de 3% da população brasileira, com predominância entre mulheres. Já o lúpus afeta mais de 65 mil pessoas no país, principalmente mulheres entre 20 e 45 anos.
A Doença de Alzheimer é a principal causa de demência no mundo e já figura entre os maiores desafios de saúde pública do século XXI. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), mais de 57 milhões de pessoas vivem com algum tipo de demência globalmente, sendo o Alzheimer responsável por 60% a 70% dos casos. Projeções internacionais indicam crescimento nas próximas décadas, impulsionado pelo envelhecimento da população.
No Brasil, estimativas do Ministério da Saúde apontam que entre 1,2 milhão e 2 milhões de pessoas convivem atualmente com a doença, com cerca de 100 mil novos casos diagnosticados por ano. Diante desse cenário, o Hospital Mater Dei Goiânia orienta a busca por avaliação médica especializada ao surgirem os primeiros sintomas.
Quando o esquecimento deixa de ser normal
A neurologista Lorena Bochenek, do Hospital Mater Dei Goiânia, explica que o Alzheimer é uma doença neurodegenerativa progressiva que compromete principalmente a memória, o raciocínio e o comportamento.
“O Alzheimer é a causa mais comum de demência. Ele costuma ter início lento e progressivo, geralmente com falhas de memória recente, o que faz com que os primeiros sinais passem despercebidos”, afirma.
Segundo a especialista, diferenciar o envelhecimento natural da doença é um dos principais desafios.
“Esquecimentos leves podem ocorrer com a idade. No Alzheimer, o esquecimento é frequente, progressivo e interfere na rotina, como esquecer compromissos importantes ou se perder em locais conhecidos”, alerta.
Entre os sinais que merecem atenção estão dificuldade de memória recente, alterações de humor, desorganização para tarefas simples, dificuldade para encontrar palavras e perda de interesse por atividades habituais.
“Muitas famílias atribuem esses sintomas apenas à idade, o que acaba atrasando o diagnóstico e o início do acompanhamento”, ressalta Lorena Bochenek.
A maioria dos casos ocorre após os 65 anos, conforme diretrizes clínicas internacionais atualizadas até 2024, mas também há registros de Alzheimer de início precoce, antes dos 60 anos. O diagnóstico é feito principalmente por avaliação clínica, testes cognitivos e exames de imagem.
“O diagnóstico precoce permite iniciar o tratamento mais cedo, retardar a progressão dos sintomas e preservar a autonomia do paciente por mais tempo”, destaca a neurologista.
Embora ainda não exista cura, há tratamentos que ajudam a controlar os sintomas e melhorar a qualidade de vida. Medicamentos disponíveis no Sistema Único de Saúde (SUS), aliados a acompanhamento multidisciplinar e hábitos saudáveis, contribuem para um cuidado mais eficaz.
Durante o Fevereiro Roxo, especialistas apontam que manter atividade física regular, alimentação equilibrada, estimulação cognitiva, vida social ativa e o controle de doenças como hipertensão e diabetes estão associados à redução do risco de desenvolver demência.
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