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| Proteção é a principal forma de prevenção (Foto: Freepik) |
Infectologista alerta para o aumento das ISTs no período de festas e reforça a importância do preservativo e da testagem
O Carnaval é sinônimo de alegria, encontros e celebração, mas também exige atenção redobrada com a saúde. Durante esse período, há aumento no risco de infecções sexualmente transmissíveis (ISTs), impulsionado principalmente pelo maior número de relações ocasionais, muitas vezes sem preservativo, e pelo consumo de álcool e outras drogas, que reduzem a percepção de risco.
De acordo com a infectologista do Hospital Encore, Marina Roriz, as ISTs mais frequentes nesse contexto são sífilis, gonorreia, clamídia, herpes genital, HPV e HIV. “Há um aumento de exposições desprotegidas, e o álcool acaba diminuindo o senso crítico e a capacidade de negociação do uso da camisinha. Muitas pessoas sabem da importância da prevenção, mas, na prática, acabam se colocando em risco”, explica.
O uso do preservativo continua sendo a principal forma de prevenção contra a maioria das ISTs. Ainda assim, erros são comuns, como não utilizar a camisinha desde o início da relação, colocá-la de forma inadequada, usar produtos vencidos ou mal armazenados e interromper o uso ao longo do ato sexual. Outro equívoco frequente é confiar na aparência do parceiro. “IST não tem cara. Não é possível identificar se alguém tem uma infecção apenas pela aparência”, reforça a médica.
Testagem mesmo sem sintomas
Um dos principais desafios é que muitas ISTs podem não apresentar sintomas, especialmente nas fases iniciais. A pessoa pode estar infectada, transmitir para outras e só descobrir quando surgem complicações. Por isso, a testagem é fundamental, mesmo para quem se sente bem. O diagnóstico precoce permite tratamento adequado e ajuda a interromper a cadeia de transmissão.
A recomendação é que pessoas sexualmente ativas realizem exames de forma rotineira, pelo menos uma vez ao ano, ou com maior frequência conforme o risco. Após uma situação considerada de risco, o ideal é procurar atendimento médico o quanto antes para orientação, testagem e, se necessário, medidas preventivas. Em alguns casos, os exames devem ser repetidos após 30 a 45 dias, respeitando a chamada janela imunológica.
Sinais de alerta após a festa
Além do HIV, a sífilis merece atenção especial devido ao aumento expressivo de casos nos últimos anos no Brasil. Também há crescimento de registros de gonorreia, inclusive com resistência a antibióticos, e o HPV segue altamente prevalente, especialmente entre jovens adultos.
Sinais como corrimento genital, feridas, verrugas, ardência ao urinar, dor pélvica, sangramentos fora do período menstrual, ínguas pelo corpo ou febre sem causa aparente devem servir de alerta para procurar avaliação médica. Ainda assim, é importante lembrar que a ausência de sintomas não significa ausência de infecção.
Para a especialista, falar abertamente sobre o tema é essencial para reduzir julgamentos e ampliar o acesso ao cuidado. “Quando tratamos as ISTs como uma questão de saúde, e não como falha moral, facilitamos o diagnóstico, o tratamento e a prevenção. Informação correta salva vidas e protege toda a comunidade”, afirma Marina Roriz.
A orientação para quem quer aproveitar o Carnaval com responsabilidade é simples e eficaz: usar preservativo em todas as relações, evitar decisões sob efeito excessivo de álcool ou drogas, respeitar os próprios limites e os do outro e buscar testagem após qualquer exposição de risco. Aproveitar com responsabilidade também é uma forma de cuidado consigo e com o próximo.





