EBC enfrenta tempestade após demissão de Doyle e busca por fortalecimento do jornalismo público

Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Gov/Agência Brasil

Doyle deixa presidência da EBC após comentários sobre conflito no Oriente Médio


Em um cenário de turbulências, a Empresa Brasil de Comunicação (EBC) enfrenta desafios significativos após a saída polêmica de Hélio Doyle. O antigo presidente, nomeado em fevereiro deste ano, foi recentemente demitido após criticar apoiadores de Israel em relação ao conflito no Oriente Médio, provocando constrangimento ao governo brasileiro, que mantém uma posição de neutralidade no conflito.

Doyle, ao repostar a mensagem "Não precisa ser sionista para apoiar Israel. Ser um idiota é o bastante" no X [antigo Twitter], gerou forte reação da mídia e de autoridades. Em um esclarecimento ao jornal O Globo, o jornalista, com passagens por veículos de destaque como Correio Braziliense e O Estado de S. Paulo, afirmou condenar tanto a ocupação de territórios palestinos por Israel quanto qualquer violência contra civis praticada por ambos os lados envolvidos.

Planalto teve a sensação de que presidente da EBC cavou demissão


A Secom do Palácio do Planalto ficou com a impressão de que o jornalista Hélio Doyle, demitido nesta quarta-feira (18/10) da presidência da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), cavou a demissão.

Mas não foi o primeiro gesto que o Planalto viu como um tiro no pé. Em entrevista ao jornalista Igor Carvalho, Doyle disse que o ministro Paulo Pimenta havia o pressionado pela demissão do jornalista Luiz Carlos Braga, após o apresentador negar numa entrevista a existência da ditadura militar, elogiar Jair Bolsonaro e criticar a eleição de Lula.

Jean Lima assume interinamente com promessas de mudanças e melhorias


Enquanto isso, a estatal de comunicação, fundamental para o cenário midiático do país, está sob comando interino de Jean Lima, diretor-geral da empresa. Lima terá que navegar em águas agitadas: os desafios imediatos incluem a melhoria das condições de trabalho, convocação de editais para contratação e a formulação de um Plano de Cargos e Remuneração até o final de 2023. Isso sem mencionar a negociação do Acordo Coletivo de Trabalho 2022/2023, cuja data-base é o mês de novembro.

Contudo, os obstáculos não terminam por aí. A relação com os servidores tem sido uma preocupação constante, agravada pelas recentes denúncias de assédio no ambiente de trabalho, acusando superintendentes da EBC. Aline Braga, integrante do coletivo de comunicação Intervozes, destaca a necessidade de um diálogo efetivo, interno e que priorize as demandas dos trabalhadores da EBC.

Além disso, a EBC tem enfrentado críticas quanto à sua atuação na comunicação pública. O coletivo Intervozes aponta que, ao invés de fortalecer a comunicação pública, tem-se observado um crescimento da comunicação governamental. Admirson Medeiros Ferro Jr., coordenador-geral do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC), ecoa essa preocupação, ressaltando a necessidade de fortalecer o jornalismo público e de abrir concursos.

Em meio a esses desafios, a estatal tem a missão crucial de avançar na direção de uma verdadeira comunicação pública, garantindo que as vozes dos cidadãos sejam ouvidas e representadas de maneira democrática e transparente.

Com informações do Brasil de Fato
Edição: Emerson Tormann - Atualidade Política

Emerson Tormann

Técnico Industrial em Elétrica e Eletrônica com especialização em Tecnologia da Informação e Comunicação. Editor chefe na Atualidade Política Comunicação e Marketing Digital Ltda. Jornalista e Diagramador - DRT 10580/DF. Sites: https://etormann.tk e https://atualidadepolitica.com.br

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